quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Eu acredito em vida extraterrestre

Sistema TRAPPIST-1

São 100.000.000.000 de galáxias no universo que conhecemos. Se imaginarmos que para cada galáxia temos um número estimado de 100 bilhões de estrelas (levando em conta apenas o que os astrônomos chamam de universo visível, ou seja, aquele cuja luz chega até nós), temos em alguma medida o que ainda falta para descobrir. E aí? Você acredita que existem outros planetas que possam abrigar a vida? Eu não duvido disso.

Um aperitivo do que existe por aí foi anunciado pela Nasa com a descoberta de um novo sistema solar que orbita em torno de uma estrela anã vermelha batizada como Trappist-1. Dos sete planetas descobertos nesse sistema, três poderiam ter condições de manter vida.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A dança da chuva amazônica


Se você achou que iria descrever o ritual de invocação dos espíritos antepassados dos índios da Amazônia para provocar chuva, errou feio. A dança a que me refiro é a dos ventos que, como rios voadores, transportam água pelos céus do Oceano Atlântico, passando pela Floresta Amazônica e desaguando no sul do nosso continente.


Caso fôssemos pagar para uma empresa abastecer os mananciais do estado de São Paulo com água potável, você faria ideia de quanto seria? Pois é. Difícil até de mensurar. E a Amazônia nos presta mais esse serviço ambiental de graça e poderia ser permanentemente, caso  a conservássemos.

O vento úmido que chega do Atlântico na Amazônia durante nosso verão abastece a floresta, que devolve a água através da evapotranspiração, mantendo a umidade do vento que chegará ao sul do continente provendo as chuvas que abastecem àquelas bandas.

Com o desmatamento, que infelizmente é crônico (já foram desmatados 700 milhões de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica), a taxa de evapotranspiração na área diminui consideravelmente e esse sistema de retroalimentação hídrico é quebrado. Com isso, você já percebe um dos problemas gerados: o desabastecimento das regiões mais ao sul de nosso país.


Pesquisadores da USP desenvolveram fórmulas matemáticas "simples" para explicar essa dinâmica.

Quer saber mais?

Assista ao vídeo


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Porco: o anjo dos transplantes


Poderia ser um sonho que tende a não se realizar ou um representante dos peixes de esqueleto cartilaginoso pertencente à Subclasse Holocephali. Entretanto, as Quimeras às quais me refiro, estão mais próximas ao sentido há muito presente no imaginário humano, como monstro mitológico e  até na forma de Anjo dos X-men, criaturas formadas por diferentes animais unidos em um único indivíduo. De modo concreto, chegamos bem próximo de construir um ser como esse ao introduzir células iPS humanas em blastocistos de porcos, gerando (ainda com baixa eficiência) embriões híbridos suíno-humanos.
Fonte: http://cadeacura.blogfolha.uol.com.br/2017/01/26/distopia-suina/

A ideia inicial é conseguir formar órgãos humanos em porcos. Uma vez possível, usar esses hospedeiros para produzir órgãos e tecidos para experimentos sobre doenças e até mesmo testes de medicamentos e para transplantes. Neste caso, usaríamos células-troncos pluripotentes induzidas obtidas do paciente que necessita do transplante e produziríamos um órgão geneticamente compatível com ele em porcos. Vantagens: elimina-se a espera por doador e dissipa-se o risco de rejeição do órgão/tecido transplantado.

 Confira mais em excelente a matéria da National Geographic (que tem um vídeo bizarro no qual o pulmão de porco filtra sangue humano sem rejeitá-lo. Impressionante!).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O que o vírus da Zika provoca no cérebro?


Já havia uma forte desconfiança, mas agora o entendimento foi consolidado. O zika-vírus impede a formação e o amadurecimento dos neurônios durante do desenvolvimento do feto, gerando a microcefalia e outros problemas neurológicos congênitos.

Os dados foram desvendados por uma equipe da UFRJ. Em síntese, a equipe de pesquisadores expuseram células-tronco neurais ao zika e observaram as transformações moleculares, fisiológicas  e morfológicas dessas células. Detectaram que o vírus age interrompendo o ciclo celular e também impedem a neurogênese.

Informação mais detalhadas podem ser obtidas no Jornal Folha de São Paulo.

Estudo da USP identifica alterações fetais a partir 24a semana de gestação. Assista ao vídeo:


MÉTODO CIENTÍFICO



A ciência é uma esfera de conhecimento resultante de um rigoroso método de investigação da realidade. Não se trata do único caminho possível e convincente para responder os questionamentos do ser humano, mas nos fornece explicações racionais e naturais para os fenômenos da natureza.


Devemos ser críticos ao avaliarmos os avanços da ciência e as tecnologias, de fato a ciência não é neutra. O contexto socioeconômico, a cultura e, às vezes, a subjetividade do pesquisador acabam influenciando os rumos dos desenvolvimento científico. Apesar desta ponderação, este saber apresenta alta credibilidade devido às suas características básicas: objetiva, quantitativa, busca leis gerais de funcionamento dos fenômenos, falseável, preditiva e fundada a partir de um rigoroso trabalho de investigação que garante os aspectos anteriores.

O método de investigação usado em ciências biológicas é predominantemente o hipotético-dedutivo. Neste caso, partimos de princípios já existentes para elaborar hipóteses permitindo deduções que expliquem fenômenos ainda não completamente elucidados. Realizam-se novos testes para a hipótese - experimentos e novas observações - normalmente com o intuito de negá-la e, se não conseguimos refutá-la, a aceitamos como verdade até que se prove o contrário (ver figura abaixo). É isso mesmo, não se angustie, a verdade na ciência é relativa. É inerente ao saber científico a renovação e a modificação contínua, o que afasta deste conhecimento o status de dogmático. Sempre que falo disto, lembro-me invariavelmente do que cantou o profético Raulzito: "Aos onze anos de idade eu já desconfiava da verdade absoluta".



EXPERIÊNCIA CONTROLADA


O saber científico é resultado de um método rigoroso e criterioso de investigação, cujo teste de hipóteses é uma etapa crucial na qual entra em cena a experimentação.

O pesquisador tem a obrigação de conhecer as condições do meio em que o experimento se desenrola e deve manter um grupo de referência, chamado de controle, para efeito de dar credibilidade aos resultados obtidos com o grupo submetido ao teste da hipótese, chamado de grupo experimental ou teste.

Vejamos um exemplo real:

Hipótese: o zinco pode ser usado para curar resfriados.

Leia um trecho da reportagem abaixo e tome nota de como se deu o teste da hipótese e qual foi a conclusão.

Tomar zinco em forma de xarope ou comprimidos pode diminuir a gravidade e a duração dos resfriados comuns, afirma um estudo científico. Um estudo publicado no site "Cochrane Reviews" afirma que a administração de zinco até um dia depois do início dos sintomas do resfriado acelera a recuperação.
A substância também pode ajudar na prevenção dos resfriados, afirmam os autores do estudo, que inclui informações de 15 testes feitos com 1.360 pessoas. Também afirmam que o zinco pode encobrir os vírus do resfriado e impedi-los de entrar no organismo por meio da mucosa do nariz.
O zinco também aparentemente impede o vírus de se duplicar, pelo menos nos testes de laboratório, além de auxiliar o sistema imunológico e reduzir as reações desagradáveis do corpo à infecção.
Em um período de sete dias, a maioria dos pacientes que tomaram zinco a cada duas horas ficaram livres dos sintomas, se comparados com aqueles que tomaram placebos. Já as crianças que tomaram 15 miligramas de zinco em forma de xarope ou comprimidos por cinco meses ou mais pegaram menos resfriados e ficaram menos tempo fora da escola.


Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/02/zinco-pode-ser-usado-para-tratar-refriados-diz-estudo.html
Qual é o grupo controle na experiência sobre o poder do zinco na cura do resfriado?

Resposta: O grupo de pacientes que tomaram placebo durante os sete dias de testes.

Apenas a partir desta referência podemos concluir que realmente foi o zinco que fez com que as crianças do grupo teste pegassem menos resfriados, ficando menos tempo fora da escola (até que se prove o contrário).

P.S.: Lembre-se que placebo, segundo o dicionário Michaelis, é uma substância ou preparado inativo, outrora receitado para comprazer ao doente, agora também usado em estudos controlados para determinar a eficácia de substâncias medicinais.

Para completar seu estudos sobre experiências científicas avalie este experimento: