A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. Escolha oportuna devido aos múltiplos temas urgentes que estão relacionados e serão apreciados durante essa celebração, como redução do consumo, reaproveitamento, reciclagem, mudanças climáticas, agroecologia, fontes alternativas de energia, biopirataria, criação de unidades de conservação e a questão da introdução de espécies invasoras, só para citar alguns. Tudo isso sob a ótica do desenvolvimento sustentável. Diante da importância e complexidade do assunto, temos um sério compromisso com a divulgação de informações sobre a necessidade de se preservar a diversidade biológica e a respeito de como agir nesse sentido. Nós, brasileiros, assumimos uma responsabilidade extra, pois possuímos, em nosso território, um quinto de todas as espécies do planeta e fomos os anfitriões da Cúpula da Terra, que aconteceu 1992, no Rio de Janeiro, na qual foi elaborada a Convenção Sobre a Diversidade Biológica. Documento que apresenta as diretrizes acerca das ações que as nações devem realizar para conservar as espécies de modo a garantir condições dignas para a sobrevivência das futuras gerações. Para o cidadão comum, às vezes, fica difícil saber como se pode agir para contribuir positivamente com tão intricado eixo temático. Entretanto, devo dizer que uma pessoa responsável já faz muito, várias vezes sem perceber, para vivermos em um ambiente mais harmonioso. Quem não cai na tentação do consumo sem motivo e não é adepto da cultura do desperdício, por exemplo, já colabora significativamente para diminuir a extração de recursos da natureza, preservando assim, as paisagens naturais e todos os seres que as compõem e as mantém em equilíbrio. A biodiversidade resguardada é fonte de alimento, combustível e fibras; favorece a purificação do ar, degradação de resíduos e ciclagem de nutrientes; modera inundações, secas, temperaturas extremas e a força dos ventos; possibilita a existência de vários modos de polinização das plantas, o controle de pragas e doenças; mantém um patrimônio genético que pode nos fornecer medicamentos e outros produtos, além dos benefícios culturais e estéticos. Quem não se sente bem quando em contato mais íntimo com a natureza? Se refletíssemos um pouco, perceberíamos o quanto é renovador um banho de mar ou de rio, como é alentadora uma caminhada em uma trilha na mata e quão divertido é o hábito dos animais. É fato, a natureza nos torna plenos de felicidade. Motivo mais do que suficiente para protegê-la. Viva a biodiversidade!
Certa vez escutei que não se combate a seca, convive-se com ela. A seca é um evento cíclico natural da região semiárida do Norteste e do norte de Minas Gerais. Portanto, só poderíamos combatê-la quando conseguíssemos controlar o dinâmico clima do planeta (acho isso difícil para breve). Enquanto isso, vamos buscando alternativas para melhorar as condições de vida do sertanejo. Nesse contexto, achei muito pertinente a pesquisa feita por cientistas da Academia Chinesa de Ciências sobre a teia da aranha Uloborus walckenaerius.
Os pesquisadores estão desenvolvendo uma rede com base na arquitetura da teia da aranha. Essa teia, além de forte, é capaz de reter a umidade do ar e canalizar a água captada para "reservatórios" presentes nas articulações da trama. A tecnologia em elaboração pode nos fornecer uma alternativa para driblar a falta de água nos períodos de estiagem do sertão.Outra aplicação possível é no caso da poluição água disponível em estado líquido. Poderíamos captar água limpa do orvalho da névoa.
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. Por conseguinte, a divulgação sobre a importância da preservação da diversidade biológica é uma das metas para o período. Imaginem se essa aranha estivesse extinta. Talvez os estudiosos chineses não fossem inspirados a elaborar tal malha e, desse modo, teríamos uma possibilidade a menos para a aquisição de água potável. Viva a biodiversidade!
Em 1856, quando o monge agostiniano Gregor Mendel (1822-1884) começou a estudar ervilhas, as ideias prevalecentes sobre a hereditariedade passavam longe do que de fato acontece na transmissão das características de progenitor para descendente. Até então, os cientistas se dividiam nas mais diferentes correntes de pensamento. Havia os pré-formistas, que defendiam a existência de "homúnculos" dentro do espermatozoide ou do óvulo. Esses estudiosos digladiavam, no século XVIII, com os partidários da epigênese, que admitiam a presença de uma substância amorfa dentro dos gametas, ativada na fecundação para formar um novo ser. Houve ainda o retorno da pangênese, capitaneada por Charles Darwin (1809-1882), na segunda metade do século XIX. Nessa época, também era comum a crença da herança por mistura. Os seus adeptos defendiam que os filhos apresentavam geralmente uma média dos caracteres dos pais. Concepção inadequada frente a uma série de evidências, como, por exemplo, a existência de um filho calvo de pais não-calvos. Portanto, esse negócio de herança por mistura acabava sendo uma enorme "forçação" de barra.
Sem dúvidas, as descobertas que aconteceram no século XIX foram cruciais para o entendimento da hereditariedade. Estudos paralelos à discursão sobre esse tema nos permitiram entender o espermatozoide como gameta masculino (tudo bem que eles foram primeiro visualizados por Leeuwennhoek, em 1667, mas apenas em 1841 Kölliker desmonstrou que os espermatozoides eram células modificadas) e o óvulo como célula reprodutiva feminina (em 1828, von Baer descobriu essa célula dentro do foliculo ovariano, descrito inicialmente por Graaf, no século XVII). Além disso, em 1882, Walther Flemming descreveu o comportamento dos filamentos nucleares durante a mitose. Esses filamentos chamados de cromossomos por Waldeyer, em 1888. Já em 1889, Leopold Weismann, sugeriu a existência de um tipo de divisão que depois ficou conhecida como meiose. Faltou, na segunda metade do século XIX, uma mente iluminada para juntar os dados da citologia com os trabalhos do nosso monge genial. Síntese realizada apenas em 1903, por Sutton e Boveri, que trabalhavam independentemente.
Agora, voltemos ao nosso protagonista. Em 1865, Mendel apresentou os resultados dos seus trabalhos com as ervilhas da espécie Pisum sativum em duas conferências feitas na Academia de Ciências de Brno. Neles, uma conclusão, costumeiramente apresentada assim: "cada caráter é condicionado por um par de fatores que se separam na formação dos gametas, nos quais ocorrem em dose simples". Esse que ficou sendo o enunciado para a Primeira Lei de Mendel, também chamada de Lei da Pureza dos Gametas, abriu as portas para o entendimento da hereditariedade, objeto de estudo da ciência que foi chamada de genética pela primeira vez em 1906, por Bateson.
Infelizmente para Mendel, a compreensão de seus serviços para a hereditariedade saíram da escuridão apenas em 1900, quando três cientistas (de Vries, Correns e Tschermak), de modo independente, usaram seus trabalhos como referência em suas pesquisas. A partir daí, Mendel pôde ser conhecido como o pai da Genética em palestras proferidas por Bateson, entre 1902 e 1909.
Analisem a representação de um dos experimentos de Mendel para o monoibridismo:
Agora, resolvam uma listinha de exercícios sobre a primeira lei e assistam aos vídeos sobre Mendel:
1) Dizemos que um determinado gene é recessivo quando sua
expressão (fenótipo):
a) só acontece em heterozigose.
b) só ocorre quando em dose dupla.
c) independe da presença de seu alelo.
d) depende de características congênitas.
e) reproduz uma característica provocada pelo ambiente.
2) Algumas pessoas demonstram uma transpiração excessiva
mesmo em condições normais. Esse caráter é determinado por um gene dominante S.
Como será o genótipo de uma pessoa normal?
3) Um certo tipo de anomalia aparece em filhos de pais
normais e, no entanto, trata-se de uma manifestação hereditária. Como você
explica esse fato?
4) O gene que determina pêlos curtos no coelho é dominante
em relação ao que condiciona pêlos longos. Do cruzamento entre coelhos
heterozigotos nasceram 480 coelhinhos, dos quais 360 tinham pêlos curtos. Entre
esses coelhinhos de pêlos curtos qual é o número esperado de heterozigotos?
5) Do cruzamento de duas moscas com asas, nasceram 120
descendentes com asas e 40 sem asas. Se os 120 descendentes com asas forem
cruzadas com moscas sem asas e se cada cruzamento gerar 100 indivíduos. Qual o
número esperado de indivíduos com asas e sem asas obtidos desse ultimo
cruzamento?
6) (Fuvest) Dois grupos de mudas obtidas a partir de um
mesmo clone de plantas verdes foram colocados em ambientes diferentes: um claro
e outro escuro. Depois de alguns dias, as plantas que ficaram no escuro estavam
estioladas o que significa que os dois grupos apresentam:
a) o mesmo genótipo e fenótipos diferentes.
b) o mesmo fenótipo e genótipos diferentes.
c) genótipos e fenótipos iguais.
d) genótipos e fenótipos diferentes.
e) genótipos variados em cada grupo.
7) "Casais de pigmentação da pele normal, que
apresentam genótipo __(I)__ podem ter filhos albinos. O gene para o albinismo é
__(II)__ e não se manifesta nos indivíduos __(III)__. São albinos apenas os
indivíduos de genótipo __(IV)__."
No trecho acima, as lacunas I, II, III e IV devem ser
preenchidas correta e, respectivamente, por:
a) AA, dominante, homozigoto e aa.
b) AA, recessivo, homozigoto e Aa.
c) Aa, dominante, heterozigotos e aa.
d) Aa, recessivo, heterozigotos e aa.
e) aa, dominante, heterozigotos e AA.
8) (Fuvest) Considere os seguintes cruzamentos para ervilha,
sabendo que V representa o gene que determina cor amarela dos cotilédones e é
dominante sobre o alelo v, que determina cor verde.
I. VVx vv
II. Vv x Vv
III. Vv x vv
Um pé de ervilha, heterozigoto e que, portanto, produz
vagens com sementes amarelas e com sementes verdes, pode resultar
a) apenas do cruzamento I.
b) apenas do cruzamento II.
c) apenas do cruzamento III.
d) apenas dos cruzamentos II e III.
e) dos cruzamentos I, II e III.
9) (Vunesp-SP) Em abóboras, a cor do fruto (branco ou
amarelo) é controlada por um par de genes. Uma planta homozigota com frutos
brancos foi cruzada com uma planta homozigota com frutos amarelos. A
descendência desse cruzamento foi inteiramente constituída por plantas com
frutos brancos. O cruzamento entre as plantas dessa descendência produziu 132
abóboras, que foram colhidas por um agricultor.
a) Quantos frutos amarelos e quantos brancos, desses 132, o
agricultor espera obter?
b) Quantos, desses 132 frutos, espera-se que sejam
homozigotos?
10) O pulmão da doadora substituiu o órgão de um rapaz de 22
anos afetado pela doença autossômica recessiva chamada fibrose cística, a qual
produz infecções respiratórias crônicas e graves. Tendo recuperado parte de sua
saúde e sabendo-se fértil, o jovem pensa agora em constituir família.
Considerando que sua mulher não tem o gene que causa a
fibrose cística, qual é a chance de eles virem a ter descendentes saudáveis?
a) 0%
b) 25%
c) 50%
d) 75%
e) 100%
Gabarito:
1) B
2) ss.
3) A anomalia do filho é recessiva e os pais são heterozigotos
Gabarito:
1) E
2) C
3) B
4) A
5) a) Duas cromátides por cromossomo no início de M e uma cromátide por cromossomo ao final de M2.
b) Duas moléculas de DNA por cromossomo no início de M e uma mólécula de DNA por cromossomo ao final de M2.
6) Sim. O crossing-over permite a formação de uma cromátide sem os genes deletérios N e M.
7) D
8) A
9) A
Depois de um "longo e tenebroso inverno" de vestibulares, agora posso voltar a me dedicar um pouquinho ao meu querido blog. E para reinaugurá-lo vou falar brevemente acerca da biologia no ENEM 2009.
Deixo de lado todo o amadorismo - classifico assim para ser gentil - em relação a aplicação da prova, que vai desde do seu "vazamento" em outubro, passando por anulação de questão, pela alta taxa de abstenção, até a divulgação do gabarito oficial cheio de erros, para falar apenas de como as Ciências da Vida foram contempladas.
Das vinte e uma questões de biologia, dez são sobre ecologia, quatro são de genética, três relacionam temas de saúde, duas de fisiologia humana, uma é sobre evolução e uma envolvendo ciclos reprodutivos.
Confesso que a classificação que fiz foi um tanto quanto arbitrária, pois reconheço que há questões que incluem mais de um conteúdo. Por exemplo, uma delas envolve fisiologia humana e genética relacionadas à saúde (ver questão 6). Entretanto, esse panorama nos dá uma ideia de como a prova foi montada.
Tenho obrigação de ressaltar que não encontrei questões que exigiram um elevado número de memorizações - eufemismo para decoreba - para se marcar a assertiva correta. Que bom seria se todas as provas de biologia fossem assim! Desse modo, não teria que ensinar uma matéria tão "chata", como dizem alguns alunos. Aliás, que atire a primeira pedra o professor de biologia que nunca recebeu uma reclamação dessas de um de seus pupilos. Tente ensinar a fotofosforilação acíclica que ocorre nos tilacoides dos cloroplastos para jovens de desesseis anos e depois dizer a eles que biologia não é decoreba, para entender do que estou falando.
Na minha modesta concepção, os vestibuares conteudistas estragam o ensino médio, já que nos obrigam a trabalhar assuntos deveras abstratos para pessoas que muitas vezes tem apenas um interesse superficial sobre a biologia. E devido a essa exigência, deixamos de lado temas realmente significativos, não apenas para biólogos, mas para todos os cidadãos, dando sentido ao ensino de biologia.
Ainda tive que escutar colegas professores resmungarem que a prova foi muito fácil. Ora, considerando os alunos que temos, para avaliar, uma prova não precisa de fato ser difícil quanto aos ,digamos, aspectos técnicos, basta que ela requeira do aluno a capacidade de criticar, ler (no sentido do letramento, não somente da alfabetização) e compreender o mundo e as tecnologias a sua volta. Assim, já me dou por satisfeito porque o ENEM atendeu a essas espectativas.